O Sertão do Abandono


O Sertão do Abandono

Já dizia Graciliano
Oitenta anos atrás;
“Vidas Secas” é testemunha
Do que a estiagem é capaz;
Sertanejo da seca fugindo
Para uma vida melhor, reagindo:
Deixando o sertão pra trás.

Da natureza, pouco se espera,
Questão climática, regional;
Chuva é pouca, mas renova
A esperança, o que é natural;
Adiado mais uma vez,
A decisão de ir e, talvez,
Ficar na terra natal.

O sonho de plantar e colher
Depende, também, de fomento;
Barreiro, carro-pipa e cisterna,
Sobrevivência, só por momento;
Diante do velho problema,
Sair ou ficar, o dilema,
realidade e sofrimento.

Mudando o substantivo
De agricultor para retirante;
A História se repetindo
De maneira relutante;
Zona rural, abandono,
Casas e terras sem dono;
Solução muito distante.

Sertão do Pajeú, PE – Brasil
2017 © Elias Oliveira

O Sertão do Abandono
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